Simpi revela que 49% das micro e pequenas indústrias paulistas sofrem com calotes

Pesquisa aponta que 73% dos empresários estão preocupados com o futuro dos seus negócios

Mesmo em cenário de insegurança sobre o comando do País, o índice de investimentos das MPIs subiu para 26 pontos em março, 10 a mais do que os 16 registrados no mês anterior

SÃO PAULO – O percentual de micro e pequenos empresários da indústria paulista que sofreu calote em março atingiu seu maior patamar no ano. Isso porque 49% os industriais enfrentaram o problema. “É um quadro muito ruim”, avalia o presidente do Sindicato da Micro e Pequena Indústria de São Paulo (Simpi), Joseph Couri.

Pesquisa do Datafolha, a pedido do Simpi, revela que a inadimplência enfrentada pelos empresários dificultou a gestão financeira. “O percentual com industriais que têm dívidas com financeiras e bancos passou de 17% para 27%”, observou Couri. “Cerca de 78% das empresas não tem capital de giro para rodar.”

Segundo o levantamento, 73% dos empresários dizem que temem pelo futuro dos seus negócios nos próximos seis meses, ou seja, praticamente três em cada quatro pessoas não têm certeza se sua empresa vai continuar ativa nos 180 dias seguintes.

“As empresas chegaram ao ponto de não ter capital de giro, pois o sistema financeiro veio cortando o crédito do mercado. Se pegarmos os anos de 2014 e 2015, no acumulado foram retirados mais de R$ 500 bilhões que poderiam ajudar o setor. As empresas acabam sendo empurradas para a inadimplência, pois não tem capacidade para fazer o pagamento das dívidas”, explica Couri.

O índice de satisfação, que mede a avaliação da empresa, o faturamento e a margem de lucro por parte das micro e pequenas indústrias (MPIs) teve o seu pior desempenho desde o início da pesquisa, em 2013. Em abril, a média desses três fatores somados alcançou 79 pontos, número muito baixo ao considerar que qualquer pontuação abaixo de 100 é um resultado negativo. Apesar da satisfação com o faturamento e a margem de lucro ter ficado estável no mês, a reação com a situação da empresa foi negativa.

O índice de contratações e demissões foi o mais baixo na série histórica. Em março, o resultado das questões referentes à abertura e fechamento de vagas nas empresas atingiu 78 pontos, oito a menos em relação ao mês de fevereiro. O índice de demissões atingiu recorde negativo, a 133 pontos. Para fazer esse cálculo, toma-se como base os 100 pontos; quanto maior for a pontuação, menor é o número de demissões.

Para Couri, o cenário como um todo é extremamente preocupante e seriam necessárias medidas urgentes para que ocorresse uma melhora. Entretanto, ele avalia que o momento é de espera.

“Em relação ao novo governo, até agora o que vimos foi a redução nos ministérios, a nova equipe econômica e o desejo da população de ver novas medidas se tornando realidade. Isso faz com que se apresente um desenho bonito, porém, mais uma vez, não sabemos o que irá acontecer. A realidade é que é improvável que haja uma mudança concreta rapidamente”, conclui o presidente da Simpi.

Mesmo em cenário de insegurança sobre o comando do País, o índice de investimentos das MPIs subiu para 26 pontos em março, 10 a mais do que os 16 registrados no mês anterior.

Segundo a metodologia da pesquisa, os dados coletados entre 13 e 20 de abril apontam os resultados de março e as expectativas para maio. Ao todo, 315 representantes de empresas foram entrevistados.

Marco Bissi

Fonte: www.dci.com.br

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